Inflação e tarifas preocupam dirigentes do Fed
A ata da última reunião do Federal Reserve revelou a preocupação dos dirigentes com provável alta da inflação, impulsionada pelas tarifas
A ata da última decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), divulgada nesta quarta-feira (20), sinaliza que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) preveem um provável aumento da inflação no curto prazo nos Estados Unidos. Embora a magnitude, o momento e a persistência dessa alta permaneçam incertos, o documento detalha um consenso sobre a inflação se manter relativamente elevada, ao mesmo tempo em que indicadores sugerem uma moderação no crescimento da atividade econômica durante o primeiro semestre. Consequentemente, os dirigentes concordaram em basear futuras considerações sobre ajustes na política monetária na avaliação dos dados recebidos, nas perspectivas e no equilíbrio de riscos.
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Ademais, a discussão sobre o balanço de riscos mostrou que “uma maioria dos participantes considerou que o risco de inflação em alta era maior do que o risco de enfraquecimento do emprego”.Em contrapartida, alguns membros viram os riscos como equilibrados, e poucos manifestaram maior preocupação com o mercado de trabalho. Vários participantes ressaltaram a importância de manter as expectativas de inflação ancoradas, alertando que uma inflação persistentemente acima da meta de 2% poderia “aumentar o risco de que as expectativas de longo prazo se desancorassem”.
Posteriormente, a ata aprofunda a análise sobre o impacto das tarifas, cujos efeitos “estavam se tornando mais aparentes nos dados, como indicado pelos recentes aumentos na inflação de bens”, enquanto a inflação de serviços continuava a desacelerar. O documento aponta que “muitos participantes notaram que pode levar algum tempo para que os efeitos completos das tarifas mais altas sejam sentidos nos preços de bens e serviços ao consumidor”. Entre os motivos para essa defasagem, foram citados o acúmulo de estoques, a lenta transferência de custos de insumos para os preços finais e as negociações comerciais em andamento.
Finalmente, o documento do Fed esclarece que as evidências sugerem que as empresas e os consumidores domésticos estão arcando predominantemente com os custos das tarifas, com os exportadores estrangeiros absorvendo apenas uma parcela modesta. Diante desse cenário, os dirigentes ressaltaram que, se as tarifas levarem a uma alta mais persistente da inflação do que o esperado, ou a um aumento significativo das expectativas, seria apropriado “manter uma postura mais restritiva de política monetária do que seria o caso em outras circunstâncias”.
Foto: Jovem Pan




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